Master Class – «O processo criativo “In the Attic” –: da escrita do argument, storyboard, esboços e marionetas até ao filme completo»
No CINANIMA 2011, Jiri Barta, membro do Júri Internacional da edição deste ano e veterano consagrado do cinema animado com marionetas e outros objectos, herdeiro da tradição de Jiri Trinka, expoente máximo desta linguagem artística da antiga Checoslováquia, acumulando também larga experiência em cenografia para artes de palco, vai partilhar com o público do festival o processo criativo do seu mais recente filme “In the Attic or Who Has a Birthday Today?” (2009), numa oportunidade rara para aprender de perto directamente com um dos mestres da animação mundial.
Sala Polivalente do Centro Multimeios, sexta-feira dia 11 de Novembro de 2011
Entrada livre, limitada aos lugares existentes. Serão entregues certificados aos participantes.
Orientador:
Biografia: Nasceu a 26/11/1948 em Praga. A sua dedicação aos filmes de animação data desde a sua licenciatura em Arquitectura e Design em Praga – Departamento de Filme e Tv.
No final dos anos 60, desenhou marionetas e cenários para cinemas pequenos e experimentais em Praga (Vedene divadlo, Viola, Reduta).
Desde 1978 cooperou com o Estudio de Jiri Trnka (Praga), como designer, realizador e argumentista.
Em 1993 integrou a Academia das Artes como chefe do departamento de Filme e TV, onde esteve durante 15 anos. Desde 2009 lecciona no Instituto de Arte e Design (Pilsen).
Trabalha com animação tridimensional, maioritariamente marionetas e objectos em combinação com as mais variadas técnicas.
À excepção dos seus filmes para crianças e adultos, as suas produções são em grande parte dedicadas aos cenários e ilustrações.
Alguns dos títulos dos seus filmes: EXTINCT WORLD OF GLOVES, PIED PIPER, LAST ROBBERY, CLUB OF THE DISCARDED, GOLEM ( pilot – 7 min.), IN THE ATTIC
CUBA, AMOR E MÚSICA NO ARRANQUE DO CINANIMA’ 11
Sessão de Abertura da 35.ª Edição do CINANIMA
O CINANIMA abre a sua 35.ª Edição, na próxima segunda-feira dia 7 de Novembro de 2011 n
a Sala Tempus do Centro Multimeios de Espinho, com a exibição de uma das mais celebradas longas-metragens de animação deste ano, “Chico y Rita”, de Fernando Trueba e Javier Mariscal. Uma viagem à Havana do pós II Guerra Mundial, antes da revolução, quando a presença dos americanos era dominante e o jazz se misturava com a música popular de Cuba.
Uma história de amor, com música como pano de fundo
O filme começa em Cuba no ano de 1948, e com ele vamos descobrir Chico, um jovem e sonhador pianista que, um certo dia, se cruza com Rita, uma bela cantora com uma voz singular. Unidos pela música e pela paixão, serão os protagonistas de uma viagem, na boa tradição popular latina dos boleros, marcada pelo desgosto amoroso e pela desilusão e angústia. De Havana a Nova York, passando por Paris, Hollywood e Las Vegas, estes dois apaixonados travarão batalhas impossíveis para conseguirem ficar juntos na música e no amor, numa longa e conturbada viagem em busca do seu sonho e um do outro.
Uma autoria partilhada entre dois amigos
Esta singular obra, dotada de um particular estilo gráfico e mestria técnica, “Chico y Rita” resulta de uma ventura no mundo do cinema animado uniu o oscarizado realizador de imagem real Fernando Trueba – vencedor com “Belle Epoque” do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1994 – ao reconhecido e bem sucedido designer gráfico Javier Mariscal – autor, entre muitas outras obras simbólicas, da mascote dos Jogos Olímpicos de Barcelona 1992, Cobi. Estes dois amigos e colegas de longa data, ambos apaixonados pela música e cultura de Cuba, juntaram-se para criar uma história de amor com contornos épicos
O filme conta ainda, na realização, com o contributo de Tono Errando, com carreira na realização de vídeos comerciais e musicais e actualmente director de audiovisual no estúdio de Mariscal.
ESPINHO, A CAPITAL DO CINEMA DE ANIMAÇÃO DURANTE UMA SEMANA
35 ANOS DE CINEMA
De 7 a 13 de Novembro de 2011, o CINANIMA – Festival Internacional de Cinema de Animação de Espinho celebra o seu 35.º aniversário com um cartaz competitivo de luxo e um programa paralelo de qualidade, com os ingredientes que têm vindo a consagrar esta iniciativa conjunta da Nascente – Cooperativa de Acção Cultural e da Câmara Municipal de Espinho como um certame de referência no panorama audiovisual europeu e mundial e ponto de paragem obrigatória dos profissionais e amantes de cinema de animação portugueses.
75 filmes em competição
A secção competitiva do CINANIMA 2011 – competição internacional e nacional – conta com um conjunto de setenta e cinco filmes, escolhidos pelos júris de selecção de entre o total de 874 obras inscritas.
Na competição internacional de curtas e médias metragens – cujas sessões se iniciam 3.ª-feira dia 8/11/2011 e se prolongam até ao fim-de-semana – concorrem 52 filmes, dos quais 16 (31%) terão aqui estreia absoluta no circuito de festivais, e 44 (84,5%) nunca foram antes exibidos em Portugal, perfazendo um catálogo de concorrentes de alto gabarito e qualidade artística e técnica que promete dificultar a tarefa do Júri Internacional. De referir, que em 2011 apenas um filme de produção nacional foi seleccionado para a competição internacional.
Já o concurso de longas-metragens conta com quatro obras, com estreia absoluta no nosso país e que irão deliciar o público deste CINANIMA.
No sábado, dia 11 de Novembro, é tempo de a produção nacional ser posta prova e se tomar o pulso ao estado da animação portuguesa. Nos ecrãs, de manhã e ao início da tarde, serão exibidas as sessões de competição nacional, com, respectivamente, o Prémio Jovem Cineasta Português – concorrem 12 filmes, dez dos quais terão aqui a sua estreia em Portugal – e o Prémio António Gaio – com um elenco de 11 obras, cinco das quais nunca antes exibidas no país.
136 filmes no programa não competitivo
Um festival como o CINANIMA não vive só de sessões competitivas e prémios, uma das mais-valias de um certame desta natureza, para além da óbvia importância do concurso e da plataforma de troca de experiências e contactos entre profissionais da área, reside na sua oferta de retrospectivas e outras mostras de trabalhos e autores que de outra forma não poderiam ser visionados em sala de cinema, por não estarem integrados no circuito comercial o mercado de audiovisuais.
Panorama
Em primeiro lugar, grande destaque para as sessões Panorama, uma oportunidade para todos aqueles filmes que, não tendo sido seleccionados para competição internacional, pelo seu padrão elevado de qualidade técnica e artística, foram escolhidos pelo júri de selecção para serem exibidos durante o festival, permitindo ao público apreciar um leque mais amplo da colheita de 2011.
Retrospectivas de autor
Em 2011 serão realizadas duas retrospectivas de autor, em jeito de homenagem. Uma será dedicada à obra de Karel Zeman, com a exibição de três longas realizadas por este visionário da antiga Checoslováquia, falecido em 1989, cuja obra de cinema de imagem real é marcada por uma delirante criatividade e um extensivo uso de efeitos especiais e animação que deram o epíteto de “Meliés Checo”. Filmes fantásticos e com muita acção, aventura e imaginação que vão demonstrar que antes do digital já este europeu construía preciosas peças cinematográficas que desafiam os limites da realidade e as restrições de orçamento.
A segunda retrospectiva de autor que o CINANIMA 2011 apresenta é um olhar especial no trabalho de um casal de realizadores britânicos que, na segunda metade do século XX, cujo estúdio se afirmou como um dos mais importantes centros de produção europeu de cinema de animação de grande público, fazendo frente às ofertas do mercado norte-americano que então (como agora) invadiam os ecrãs do velho continente. Estamos a falar de John Halas e Joy Batchelor, cuja filha Vivien Halas integra o júri internacional deste ano, fundadores do estúdio Halas&Batchelor, fundando nos anos 40 do século XX e que começou por produzir pequenas curtas publicitárias para exibição em cineteatros, e que após o início da II Guerra Mundial ganhou visibilidade pelos seus filmes animados de informação e propaganda pró-aliados, tendo depois do fim daquele conflito continuado a produzir filmes informativos.
Em 1945 realizam a primeira longa-metragem de animação do Reino Unido, antecedendo o filme que viria a ser o maior sucesso do estúdio, “Animal Farm”, baseado na obra homónima do escritor Georges Orwell a primeira longa de animação britânica a ter distribuição internacional, obra que será exibida neste CINANIMA, numa oportunidade rara de visionamento em grande ecrã desta obra-prima do cinema de animação.
Será ainda apresentada uma mostra de doze curtas produzidas pelo Halas&Batchelor, que mostrará uma faceta menos conhecida do grande público, que ilustra o grande volume de produção de cinema animado feito por este estúdio do Reino Unido.
Retrospectivas temáticas
Numa outra linha, e em jeito comemorativo dos seus trinta e cinco anos o CINANIMA 2011 apresentará três retrospectivas temáticas, que em última análise constituem uma espécie de best-of do cinema animado dos últimos cinquenta anos.
A retrospectiva “Técnicas da Animação”, em duas sessões de âmbito didáctico que vão explorar os vários caminhos artísticos que o cinema de animação de autor tem percorrido, numa selecção eclética onde os contrastes se unem na magia de contar histórias com formas e imagens animadas.
Por outro lado, uma visão mais pessoal, num espírito de devoção dos membros da equipa que organiza o CINANIMA e que deram o seu contributo para a retrospectiva “A nossa escolha”, também dividida em duas sessões, e que resulta de uma selecção dos premiados das trinta e cinco edições deste festival. É difícil afirmar quais são os melhores entre os melhores, a escolha da organização do festival foi diferente, preferiu apelar à emoção e sentido crítico das pessoas de cujo esforço e dedicação pessoal nascem as sucessivas edições do CINANIMA. A não perder para quem quiser rever ou descobrir os clássicos modernos que fazem já parte da nossa memória colectiva.
A última retrospectiva temática é uma mostra de filmes escolhidos pessoalmente por Nicole Salomon, este ano membro do júri internacional e uma activista do cine clubismo e da difusão do cinema animado, tendo estado envolvida na fundação do Festival de Annecy e dinamizado diversos ateliers nessa cidade, para além de um aturado trabalho na ASIFA. Assim, “Carta Branca a Nicole Salomon”, é uma sessão com um cunho pessoal, uma escolha no feminino, de um olhar crítico muito atento e com uma longa experiência de participação em festivais de cinema animado nos últimos cinquenta anos.
Mostras de Premiados
Serão ainda apresentados os premiados da edição de 2010 do CINANIMA, assim como do Cartoon d’Or, galardão europeu do cinema de animação cujos vencedores têm acesso directo à nomeação ao Oscar da Academia de Hollywood para melhor filme animado. E por falar em premiados, também o Festival de cinema de animação de Corfu “Be There!”, certame grego que numa parceria com o nosso festival apresentará uma mostra do palmarés da sua edição de 2011.
Programa Educativo
A vertente de formação de públicos é um elemento ao qual as sucessivas organizações do CINANIMA têm dado especial atenção, desde a sua fundação. E facto é que vários são os espinhense, hoje adultos, que se lembram perfeitamente do dia em que foram ao Salão Paroquial ver os filmes deste festival com nome complicado de pronunciar para quem andar a dar os primeiros passos na escola, quando o muro ainda não tinha caído e não havia legendas, e a maioria dos filmes exibidos muitas produções da Europa de Leste, mas o colorido e criatividade deixava aquelas multidões inquietas delirantes e com o bichinho pela animação de autor, aprendendo que havia muito mais para além do que viam na televisão e no cinema.
Assim, em 2011 continuarão a ser realizadas estas sessões para crianças e jovens, de forma intensiva e abrangendo a toda população escolar do primeiro ciclo do concelho, e algumas turmas dos restantes níveis de ensino, agora noutra sala e com uma escolha mais actualizada.
Actividades paralelas para todos os gostos
E porque o CINANIMA não vive só de imagens em movimento nos ecrãs, a sua edição de 2011 brindará o seu público com quatro exposições.
Assim, estarão patentes desenhos e elementos de produção do filme “O Sapateiro”, de David Doutel e Vasco Sá, a única produção nacional a concorrer na competição nacional, permitindo ao público ficar a conhecer um pouco melhor o processo criativo destes dois jovens realizadores da cidade do Porto.
Com tem sido hábito nos últimos anos, a organização do festival convidou quatro artistas plásticos – Hélia Aluai, Tiago Couto, Fernando Cruz e Jeny Carvalho, estes últimos em exposição conjunta – para mostrarem ao público do CINANIMA a sua criatividade, pois não sendo profissionais do audiovisual, a plasticidade da sua obra tem proximidades com o universo do cinema de animação de autor, sempre intrinsecamente ligado com as diversas expressões das belas artes.
Serão ainda expostos desenhos e ilustrações de Isabel Alves e André Fragata, a dupla de designers gráficos que tem criado o universo de cores, formas e personagens que povoam os suportes informativos do festival entregues aos públicos infantil e juvenil, e que já colaboram com o CINANIMA há mais de cinco anos, portanto uma pequena retrospectiva destes ilustradores que já fazem parte do festival.
Por último, uma homenagem, através de uma evocação e de uma exposição de fotografias, a Gaston Roch, animador e professor belga, presença assídua desde os primórdios do festival e que se tornou numa referência no festival, pela colaboração que na primeira década de vida do CINANIMA deu na realização dos ateliers do festival, espaço formativo onde vários profissionais hoje consagrados internacionalmente (como Abi Feijó e José Miguel Ribeiro, por exemplo) deram os primeiros passos nesta arte cinematográfica. Para além da estreita colaboração nos ateliers, Gaston Roch foi determinante pelo impulso dado na divulgação do festival além fronteiras, numa época em que não havia a globalização dos medias e internet, e que se demonstrou fundamental para a afirmação do CINANIMA no plano internacional.
Workshops
Em 2011, organização do CINANIMA preparou dois workshops, como já atrás foi dito, parte integrante da vertente formativa do festival, herdeiros dos ateliers e uma imagem de marca a preservar, no âmbito do objectivo de divulgação e aprendizagem das diferentes linguagens técnicas e artísticas do cinema animado.
O primeiro, que será orientado por Tânia Duarte e Ícaro, tem como mote uma peça musical da autoria do músico Quico Serrano. A partir daí, irá nascer uma animação depois de um brainstorming com os participantes neste workshop, explorando a peça musical e, sobretudo, técnicas de animação mistas.
No outro workshop, será proporcionada aos participantes uma experiência bem diferente. Do trabalho realizado resultará o filme animado de apresentação a utilizar na próxima edição do festival. Esta animação, especialmente destinada à promoção do CINANIMA 2012, será realizada em técnicas tradicionais da animação mas filmada em 3D. Para tal, contaremos com a orientação de dois especialistas na área de filmagem em 3D, Marco Neiva e Rui Teixeira, que assegurarão essa componente do workshop, e ainda com a colaboração de Tânia Duarte e Ícaro na componente de animação tradicional.
(CLG)



