Já são conhecidos os vencedores da 49ª edição do CINANIMA – Festival Internacional de Cinema de Animação de Espinho. A curta-metragem de animação “Cão Sozinho”, de Marta Reis Andrade, foi a vencedora do Grande Prémio CINANIMA 2025 – Curtas-metragens. Na Competição Nacional, o Prémio António Gaio foi atribuído a “Wildflower”, de Carina Pierro Corso. A Cerimónia de Encerramento, que decorreu, hoje, no Centro Multimeios de Espinho, premiou ainda a curta-metragem “As if the Earth had Swallowed them Up”, no âmbito da nova Competição Internacional All Aboard.
O Grande Prémio CINANIMA 2025 – Curtas-Metragens foi atribuído a “Cão Sozinho”, da realizadora portuguesa Marta Reis Andrade, uma coprodução entre Portugal e França. O filme retrata a possibilidade de nos sentirmos sós, mesmo estando rodeado de pessoas, partindo da vivência da realizadora e da sua avó. O júri decidiu atribuir o grande prémio a este filme “pelo seu estilo visual tão distinto e original, assim como pela sua ótima e inovadora abordagem à animação”.
Por sua vez, ainda no âmbito da competição de curtas-metragens, o Prémio Especial do Júri foi atribuído a “Bus”, da realizadora Sylwia Szkiłądź, uma coprodução belga e francesa, que leva o público numa viagem pelo imaginário de Agata, de 8 anos que deixa a Polónia, rumo à Bélgica. Para os jurados, a história destacou-se “pela simplicidade”, afirmando-se como um retrato “sensível, feito através dos olhos de uma menina”, sobre a realidade migratória numa experiência iniciática.
Ainda na secção de curtas-metragens, destaque-se “Porque Hoje é Sábado”, da realizadora portuguesa Alice Eça Guimarães, uma coprodução entre Portugal, França e Espanha, que foi distinguida pelo júri com o Prémio de Melhor Argumento, uma “escolha corajosa”, que venceu também o Prémio do Público.
No que respeita à Competição Internacional de Longas-metragens o vencedor foi Heinrich Sabl, com o filme “Memory Hotel” (França e Alemanha). Segundo os jurados, este é “um filme tão relevante, hoje, como no final da Segunda Guerra Mundial, época em que a história tem lugar. Com uma animação impressionante em stop motion, o filme retrata de forma vívida uma jovem que tenta lidar com o trauma persistente deixado pelas ocupações alemã e soviética. É também uma história de advertência sobre os privilégios patriarcais”.
Por sua vez, a Longa-metragem “Pelikan Blue”, do húngaro László Csáki, não deixou o júri indiferente e recebeu uma Menção Honrosa. Trata-se de uma história “que mistura, elegantemente, animação e documentário e convida o público a uma busca anárquica pela liberdade”. Além disso, os jurados valorizaram a sua “narrativa dinâmica, personagens adoráveis e envolventes, um design vibrante e música fantástica”.
Ainda no âmbito da competição internacional, mas na categoria Obras de Estudantes, o Prémio Gaston Roch foi atribuído a “Between the Gaps”, do francês Martin Bonnin, uma obra que, para o júri, se diferenciou por estar “bem construído, tanto visual quanto narrativamente, de forma simples, porém magistral”. Já “Winter in March”, de Natalia Mirzoyan (Arménia, Bélgica, Estónia, França) e “Swallow’s Tonada”, da francesa Daniela Godel, foram distinguidos com uma Menção Honrosa. A primeira obra convenceu o júri pela “qualidade da direção e a abordagem criativa utilizada pela realizadora para dar vida ao seu trabalho”. Já em “Swallow’s Tonada” os jurados afirmaram ter presenciado “uma experiência maravilhosamente trabalhada, caprichosa e visceral”.
No que respeita à estreia da Competição Internacional All Aboard, a vencedora foi a francesa Natalia León, com a curta-metragem “As if the Earth had Swallowed them Up”, a história de Olivia, uma jovem que vive no estrangeiro e regressa à sua terra natal, no México, com a esperança de se reconectar com o passado. Os jurados destacaram a criatividade e a audácia de todos os filmes em competição. No entanto, consideraram que o filme premiado se destacou, na medida em que “transpõe, através da animação, a invisibilidade para a visibilidade, usando o seu ponto de vista para nos colocar dentro do mundo que desenha a partir de um outro mundo para o qual ninguém olha – embora seja todos os dias redesenhado”.
Quanto à competição entre filmes portugueses, o Prémio António Gaio foi para “Wildflower” da realizadora Carina Pierro Corso. Segundo o júri, “este filme retrata uma meditação experimental e harmoniosa sobre as decisões que tomamos ao longo das nossas vidas: que partes são desejáveis e quais são imperfeitas? A narrativa explora as dúvidas do eu interior, fazendo-nos refletir sobre o que realmente devemos levar connosco ao longo da nossa vida”.
Também no âmbito nacional, destaca-se “Saudade, talvez”, de José-Manuel Xavier, que recebeu uma Menção Honrosa para Competição Nacional. O júri considerou-o um filme “lindo e surpreendente, viajando entre o passado e o presente através de transições excecionais, levando-nos de uma memória para a outra”.
A lista de vencedores do CINANIMA de 2025 inclui ainda duas outras distinções, para os realizadores mais jovens. Esses prémios foram para: “Entre Pelos” de Feno Dias, Theo Quinhones, Lucas Serra, que ganharam o Prémio Jovem Cineasta Português (mais de 18 até 30 anos) e “O Desafio de Joana”, da Associação de Ludotecas do Porto – Anilupa, 4º Ano da EB de Antas, que ganhou o Prémio Jovem Cineasta Português (até aos 18 anos).
Henrique Neves, diretor do CINANIMA e presidente da Cooperativa Nascente, reafirmou o compromisso com a missão artística do festival, lembrando o legado dos seus fundadores: “Podem confiar que iremos manter vivo o sonho inicial: um festival de cinema de animação de autor que preserva a componente artística como seu pilar fundamental”. O diretor destacou ainda o papel do evento no panorama internacional, como coordenador da FAN – Festivals Animation Network, afirmando “ser parte integrante do movimento global pela divulgação e valorização das artes contemporâneas”.
Henrique Neves sublinhou ainda a importância da memória e do trabalho coletivo, recordando que “todos construímos um festival que se mantém vivo ao longo do ano” graças a uma forte “cultura de partilha e de cooperação” com escolas, parceiros culturais e instituições de ensino superior. Referiu também o programa educativo “As Escolas Vêm ao CINANIMA”, que considera “um caminho de partilha que queremos muito continuar a valorizar”.
O diretor destacou também a parceria com as instituições que colaboraram nas diversas iniciativas do 49º CINANIMA e realçou a colaboração com o município, assegurando: “Honramos o valor da relação institucional e a observação dos compromissos assumidos”. Henrique reiterou a ambição de avançar para a Casa CINANIMA – Museu da Animação, um projeto que acredita ser possível concretizar em conjunto. Concluiu com reconhecimento às equipas do festival: “Vemos empenho, vemos rigor e vemos competência e compromisso. Mas, acima de tudo, vemos muita paixão.”
A 49ª edição do CINANIMA – Festival Internacional de Cinema de Animação de Espinho, que começou a 7 de novembro, teve mais de 2 000 submissões de filmes de 148 países, entre os quais foram selecionados 110 filmes para as competições oficiais. Depois de mais de uma década, os prémios monetários estão de volta para os principais premiados, com valores entre os 750 e os 1250€. Com a distinção do Grande Prémio CINANIMA 2025 – Curtas-metragens a ser atribuída ao filme “Cão Sozinho”, de Marta Reis Andrade, a obra passa, assim, a integrar a corrida ao Óscar da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, na categoria de melhor curta-metragem de animação.
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