49º Festival
Olhares sobre a Animação Portuguesa

location-marker 15h00 | Praça Progresso

Porque é este o ano de comemoração dos 30 anos de estreia do filme Estória do Gato e da Lua, tendo-se tornado um filme de referência, um marco na animação portuguesa e internacional, e uma vez que a obra artística, no seu todo, do Pedro Serrazina, é de grande relevância porque artisticamente polifacetada, é ele o autor em análise na 5ª edição do Simpósio Olhares sobre a Animação Portuguesa.

Autor convidado

Pedro Serrazina

Pedro Serrazina é realizador premiado, professor académico e investigador em animação. A sua curta Tale about the Cat and the Moon estreou em Cannes (1996) e integra o Plano Nacional de Cinema, sendo ainda exibida internacionalmente. O seu trabalho abrange cinema, instalações site-specific, videoclipes e projetos académicos. O seu doutoramento explorou o espaço animado como reflexão sobre o espaço social. É membro do conselho editorial da revista Animation Practice, Process and Production e foi diretor artístico da 45.ª edição do Cinanima. Prepara atualmente o seu novo filme, What Remains of Us.

Curadoria e Moderação

Sahra Kunz

Nesta 4ª edição do simpósio Olhares sobre a Animação Portuguesa, presta-se a justa homenagem ao realizador e investigador Pedro Serrazina, que esteve na génese deste ciclo aquando da sua passagem pela direção do festival CINANIMA. É profundamente oportuna a coincidência deste simpósio com o aniversário do lançamento do filme Estória do Gato e da Lua (1995), filme esse em que somos transportados para o imaginário poético do realizador sobre a cidade do Porto. Sendo este um filme de referência, Pedro Serrazina é um autor cuja obra completa importa continuamente redescobrir, ou descobrir pela primeira vez – como inúmeras gerações têm feito ao longo dos anos – um encontro que tem sido de grande apreciação e espanto por podermos contar com uma obra tão bela como parte do nosso património audiovisual. Espera-se que os contributos teóricos deste simpósio sirvam para informar e enriquecer o público sobre a obra deste autor.

Sahra Kunz é licenciada em Artes Plásticas – Pintura – pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto (1997).  Obteve o grau de Mestre em Som e Imagem pela Universidade Católica Portuguesa (2001).
É doutorada em Desenho pela na Faculdade de Belas Artes da Universidade do País Basco (Bilbao – 2011).
Desde 1998 é docente no curso de Som e Imagem da Universidade Católica Portuguesa, lecionando de entre outras, as disciplinas de Ferramentas de Desenho, Desenho para Pré-Produção, História da Animação, Teoria da Animação, Atelier de Animação, Produção de Projeto Final de Animação e Dissertação.

Painel de investigadores convidados

Anabela Branco de Oliveira

Pedro Serrazina: os olhos das palavras e as luas da poesia

Literatura e cinema, poesia e cinema de animação transformam-se em duas faces de uma Alquimia, na medida em que se constituem como duas artes de transmutação de materiais heterogéneos, múltiplas metamorfoses produzidas no laboratório da liberdade criativa.  A arte é a suprema forma de liberdade e de transgressão e o diálogo entre as artes a suprema forma da criação artística. Edgar Morin considera o cinema “um espetáculo mágico de metamorfoses”. Manoel de Oliveira justifica a interinfluência entre as artes ao dizer “Faço cinema porque não sei escrever”. Picasso mostra, como se o pincel fosse uma câmara de filmar, a repetição de ângulos diferentes. Pedro Serrazina percorre, na sua obra, esse intenso diálogo entre as palavras e os desenhos: um diálogo de metamorfoses, de alusões, de contrastes, de reescritas e de reconfigurações. Uma alquimia que nos mostra o olhar das palavras, concretizado no desenho em movimento, e a incerteza lunar da poesia espelhada nos movimentos exigidos pela câmara de filmar.

Professora associada na UTAD e membro efetivo do iA* Investigação em Artes. Doutorada em Literatura Comparada, orienta a sua investigação científica no âmbito dos estudos interartes, nomeadamente nas relações entre literatura e cinema e literatura e arquitetura. Leciona vários seminários no âmbito da análise do discurso fílmico e das relações dialógicas entre o cinema e outras artes. Tem comunicações apresentadas em múltiplos colóquios e publicações em revistas nacionais e internacionais. Conferências convidadas em universidades internacionais. Participações em júris e workshops em festivais nacionais e internacionais e mostras de escolas de cinema e nos júris nacionais do ICA.

Bernardo Bento

Entre o som e a imagem: a construção de uma poética sonora em A Estória do Gato e a Lua.

No cinema de animação, o som ultrapassa a função de mero acompanhamento da imagem, ele estrutura, sugere e reinventa o que se vê. Este artigo parte da análise do som na curta-metragem de animação A Estória do Gato e da Lua, de Pedro Serrazina, para investigar o impacto do som na construção das narrativas no cinema de animação. Com base numa metodologia construtivista, promovemos um inquérito que procurou compreender de que modo o universo sonoro é capaz de gerar imagens mentais, emoções e sentidos próprios. As respostas sugerem que o som influencia a imaginação, desenha espaços e imprime ritmo à narrativa. Neste estudo, procuramos compreender se o som na animação atua como uma força narrativa e poética, capaz de moldar a forma como habitamos os filmes.

Nasceu em 1995, no Porto. O seu interesse pela música e pelo som levou-o à procura do teatro. Completou a Licenciatura em Teatro – Design de Luz e Som, na ESMAE, em 2017. Desde então, na área do espetáculo já trabalhou em dezenas de produções. Em 2020 concluiu o Mestrado em Design de Som na Universidade Católica Portuguesa – fazendo assim, a transição para a arte do cinema. Nesta vertente, já completou mais de 50 projetos de curtas e longa-metragens. Desde 2022 que leciona diversas disciplinas de licenciatura e mestrado na ESMAE e UCP. E, na área da investigação, o seu foco é a relação entre paisagens sonoras e ecologia acústica no cinema de animação.

Inês Barbosa

A casa, o bairro, as pessoas: reflexões sobre a convivência urbana na obra de Pedro Serrazina

Esta comunicação analisa a obra de Pedro Serrazina a partir da relação entre o espaço doméstico, o bairro e a cidade, tomando a animação como prática de observação social. Em filmes como Estória do Gato e da Lua (1995), Within (1998), Rethink – Community Heroes (2020) e Sombras de nós próprios (2025), a casa surge como núcleo íntimo de onde se projetam memórias e pertenças que se prolongam no espaço público. Serrazina expõe as tensões entre proximidade e medo, afetos e vigilância, propondo contra-cartografias que restituem densidade social e direito à cidade.

Docente da FLUP e investigadora auxiliar no IS-UP (Criação Artística, Práticas e Políticas Culturais). Coordena o Estudo Nacional das Comunidades Ciganas (2024-2026) e o Observatório de Arte e Cultura no Ensino Superior. Doutorada em Sociologia da Educação (UM, 2016) e pós-graduada em Performance (FBAUP, 2017). Desenvolve investigação e práticas artísticas sobre cidade, desigualdades e participação, com enfoque em metodologias criativas, colaborativas e etnográficas. 

João dos Santos

Os buracos na folha. Rasgões e aberturas nos desenhos de Pedro Serrazina.

As animações de Pedro Serrazina estão cheias de buracos que ou rasgam ou abrem o espaço do desenho para outros espaços, umas vezes sem dimensão precisa e outras sem lugar que se identifique. Às vezes sem tempo e outras a evocar o tempo. Estes buracos são portas, janelas nas portas, olhares, espelhos ou aberturas criadas pelo choque entre formas. Procurarei abordar estes buracos como módulos que persistem na sua obra.

Doutorado em Artes Visuais e Intermedia – Desenho, pela Universidad Politécnica de Valencia (2012). Foi Diretor da Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha (ESAD.CR) do Politécnico de Leiria, entre 2016 e 2025, onde é professor coordenador. Artista. Membro integrado do LIDA – Design and Arts Research Lab (ESAD.CR / Politécnico de Leiria), que dirigiu entre 2015 e 2020. Ligado à aliança de universidades europeias RUN-EU desde a criação é responsável pela sua Comunicação, Disseminação e Impacto, desde 2023.  

José Vasco Carvalho

Entre o som e a imagem: a construção de uma poética sonora em A Estória do Gato e a Lua.

No cinema de animação, o som ultrapassa a função de mero acompanhamento da imagem, ele estrutura, sugere e reinventa o que se vê. Este artigo parte da análise do som na curta-metragem de animação A Estória do Gato e da Lua, de Pedro Serrazina, para investigar o impacto do som na construção das narrativas no cinema de animação. Com base numa metodologia construtivista, promovemos um inquérito que procurou compreender de que modo o universo sonoro é capaz de gerar imagens mentais, emoções e sentidos próprios. As respostas sugerem que o som influencia a imaginação, desenha espaços e imprime ritmo à narrativa. Neste estudo, procuramos compreender se o som na animação atua como uma força narrativa e poética, capaz de moldar a forma como habitamos os filmes.

É mestre em Artes Multimédia pela Universidade do Porto e doutorado em Ciência e Tecnologia das Artes. É investigador no CITAR – Centro de Investigação em Ciência e Tecnologia das Artes. A sua investigação desenvolve-se em torno de duas áreas principais: o som para cinema e a arte sonora em espaço público. O seu trabalho explora a relação entre som, imagem e espaço, através da criação de dispositivos e experiências que articulam paisagem sonora e narrativa audiovisual. Participou na produção e pós-produção sonora de mais de 70 curtas e longas-metragens, colaborando com realizadores como Rodrigo Areias, Gabe Klinger, Edgar Pêra, Laura Gonçalves, Vasco Sá, David Doutel e Alexandra Ramires. Os filmes em que colaborou foram exibidos e premiados em numerosos festivais nacionais e internacionais, refletindo um percurso que cruza investigação artística, prática cinematográfica e experimentação sonora.

Pedro Gadanho

Notas sobre a Fluidez do Espaço, ou como subverter os limites e confinamentos da arquitectura.

Nas últimas décadas, muitos artistas têm-se vindo a afirmar pela transgressão da sua área de formação inicial em arquitectura. De Gordon Matta-Clarke a Tomás Saraceno, muitos destes artistas procuraram por via dessa particular desobediência escapar aos constrangimentos crescentes que limitam o potencial criativo da arquitectura. Numa fuga para a frente, eles permitiram-se assim continuar a expandir ideias de espaço que, durante a modernidade, a disciplina da arquitectura tinha reclamado como suas. Pedro Sarrazina encontrou essa saída no cinema de animação.

Pedro Gadanho é um arquitecto, autor e curador independente baseado em Lisboa. Loeb Fellow da Universidade de Harvard, foi o curador de arquitectura contemporânea no MoMA, em  Nova Iorque, e o director fundador do MAAT, em Lisboa. Doutorado em Arquitectura e Mass Media pela Universidade do Porto, é o autor de Climax Change! How Architecture Must Transform in the Age of Ecological Emergency (ACTAR, 2022).

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