O CINANIMA – Festival Internacional de Cinema de Animação de Espinho apresentou, no dia 18 de setembro, os principais eixos e destaques da 49.ª edição, que vai decorrer de 7 a 16 de novembro de 2025. A sessão, que aconteceu na Biblioteca Municipal José Marmelo e Silva, foi conduzida pela equipa central do CINANIMA e marcou o arranque de um ciclo que antecipa já as comemorações do cinquentenário a celebrar em 2026.

Em 2025, o CINANIMA será palco de uma homenagem especial a António Gaio, um dos seus fundadores, no ano em que se assinala o centenário do seu nascimento. Este projeto contará com vários momentos: uma exposição de fotografia, na Galeria do Centro Multimeios de Espinho; um video maping, na Sala António Gaio e uma tela de grande formato, na Vila Manuela. Esta é uma iniciativa conjunta da Cooperativa Nascente com a Câmara Municipal de Espinho, a ESMAD – Escola Superior de Media Artes e Design | IPP, com curadoria e design expositivo de Olívia Marques da Silva.

“Lendas Maori da Nova Zelândia” e o concerto imersivo “The Dark Side of the Moon – Pink Floyd NSC”, no Planetário do Centro Multimeios de Espinho.

Sessão “100 Anos de Vasco Granja, O Homem Que Nos Fez Sonhar”, em homenagem ao Vasco Granja, figura incontornável da divulgação do cinema de animação em Portugal, no ano do seu centenário, com curadoria de Ricardo Blanco.

Sessão de cinema “Palestina: Entre Céu e Terra” com filmes de crianças, mulheres e autores internacionais, em homenagem ao povo palestiniano.

Após alguns anos de interregno, o CINANIMA volta a oferecer Prémios Monetários para algumas das competições.

Competição dedicada a novas linguagens e encontros entre estilos e gerações.
Nesta edição, o CINANIMA propõe uma reflexão alargada sobre a memória como matéria-prima do futuro. “O que é o futuro que o passado antecipa? Que questões levanta?” — perguntas que orientam um programa que confronta a preservação e a reinterpretação do património, cruza técnicas analógicas e processos digitais, e convida cineastas a revisitar arquivos, diários visuais, rituais e mitologias para (re)imaginar o amanhã. Esta linha curatorial ganha significado no ano que antecede o 50.º aniversário do festival, desafiando autores e público a olhar adiante, sem perder o lastro histórico que fundou o CINANIMA.
Seguindo a tradição destes últimos anos e numa procura de dar voz aos mais novos, o festival convidou o Curso de Design de Animação da Escola Superior de Tecnologia, Gestão e Design do Politécnico de Portalegre a criar o genérico oficial da 49.ª edição, uma peça que traduz em imagens em movimento o espírito do CINANIMA e da cidade que o acolhe.
Este ano, o CINANIMA recebeu 2 231 submissões de filmes de 148 países, tendo sido selecionados 110 para as competições oficiais. Durante o festival, vão ser exibidas mais de 430 obras de 50 países diferentes.
Sessões Competitivas
Sessões Não Competitivas
Entre as retrospectivas, o público poderá revisitar os filmes premiados em 2024, descobrir o trabalho de escolas europeias convidadas — a The Polish National Film, Television and Theatre School de Lodz (From Lodz to the World) e a École Émile Cohl (Comedy & Jovens) —, bem como assistir ao programa especial “O Belo Mistério da Origem das Memórias”, concebido por Malcolm Turner, cofundador e diretor do Melbourne International Animation Festival. Vão ainda realizar-se duas sessões intituladas “Entre Olhares. O Júri”, que completam este ciclo, dando a conhecer a perspetiva e os critérios artísticos dos jurados da edição.
Nas sessões especiais, o festival exibirá a longa-metragem Living Large (“Viver em Grande”), o programa “100 Anos de Vasco Granja, O Homem Que Nos Fez Sonhar” (curadoria de Ricardo Blanco) e o já referido 360º Cinema Imersivo, com “Lendas Maori da Nova Zelândia” e o espetáculo imersivo “The Dark Side of the Moon – Pink Floyd NSC”.
Um dos momentos mais simbólicos será a sessão “Palestina: Entre Céu e Terra”, com pequenos filmes que incluem obras criadas por crianças e mulheres em Gaza, bem como curtas de autores internacionais reunidos num esforço coletivo de solidariedade, afirmando o papel da animação enquanto voz de resistência, de empatia e de humanidade.
Já as Sessões Família incluem dois programas curados pelo CINANIMA (Pequenas Aventuras e A Brincar com Histórias), dois pela Casa da Animação (Mini Micro e um programa infantil), um pelo BUFF Malmö Film Festival da Suécia (“Entre Mundos e Amigos”) e um pelo Luxembourg City Film Festival (“Quem Nunca Teve Medo?”). A programação familiar encerra com a longa-metragem “Kayara – A Menina Inca”, uma aventura épica que transporta o público jovem ao imaginário da civilização Inca.
À programação das Retrospetivas, vão juntar-se mais duas sessões – FAN Young European Talents e FAN Masters, no âmbito da FAN – Festivals Animation Network, uma rede de festivais de animação europeia, sob a coordenação do CINANIMA.
A dimensão social e educativa do festival continua a ser um eixo central. Em 2024, o programa “CINANIMA vai às Escolas” envolveu mais de 102 mil alunos em 5 557 sessões, de norte a sul de Portugal, Açores, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Suíça e Bélgica, com sete programas distintos ajustados a diferentes faixas etárias. Em 2025, a experiência terá continuidade, incluindo a deslocação de turmas ao festival entre 7 e 21 de novembro, e chegará também a novas geografias e comunidades.
“As Escolas Vêm ao CINANIMA” é já uma tradição no FACE, em Espinho, há muitos anos. Desde 2024 que o festival trabalha para alargar este programa e, em 2025, dará um passo decisivo: levar a experiência a ainda mais crianças de concelhos vizinhos, como Ovar, Oliveira de Azeméis, São João da Madeira, Santa Maria da Feira, Gondomar e Paços de Brandão.
Este ano, ganha também relevo a “Oficinas Anilupa – Feira do Brinquedo Ótico”, uma exposição interativa e formativa inspirada nos primórdios do cinema. O público poderá explorar réplicas de aparelhos óticos do século XIX e outros dispositivos que recriam fenómenos visuais e ilusões óticas. A iniciativa inclui ainda objetos artísticos criados em colaboração com instituições sociais e educativas de Espinho, Granja e do Porto.
A Oficina Artística em Animação regressa com novidades e será organizada em três fases. Em setembro, os professores participaram numa Ação de Curta Duração acreditada, criada para lhes dar ferramentas e preparar o acompanhamento das turmas. Em outubro, começa o trabalho dentro da sala de aula, acompanhado pelos professores dos agrupamentos participantes e formadores especializados, onde os alunos vão dar forma às suas ideias, criar cenários, personagens e a experimentar técnicas de animação. Por último, de 7 a 12 de novembro, todos se vão reunir, em Espinho, para Residências Artísticas, organizadas em três grupos e cada turma passará dois dias a aprimorar o trabalho, assistir a sessões do festival e a conviver. O resultado final será um filme coletivo, de cerca de dez minutos, composto por pequenas animações de aproximadamente um minuto, concebidas por cada escola, a ser exibido na sessão de encerramento do festival.
A acessibilidade e a inclusão reforçam-se como compromissos inadiáveis. A programação anual integra um seminário sobre ofertas culturais acessíveis, uma sessão com audiodescrição, exibições em bairros sociais, através da iniciativa Anima Vam, e mostras dirigidas a universidades séniores e centros de dia, numa estratégia clara de alargar horizontes e públicos.
No campo da formação e do pensamento crítico, o CINANIMA volta a reunir figuras de referência internacional em masterclasses e debates. Autores como Luca Tóth, Georges Sifianos, Kajsa Naess, Lucija Mrzljak, Steve Woods, Kaspar Jancis, Niccolò Gioia e Adriana Andrade vão partilhar processos criativos e metodologias de trabalho.
Ao lado destas iniciativas regressa a Masterclass Online do Plano Nacional de Cinema, a apresentação de novos projetos de animação em Projetos.PT, a 5.ª edição do Simpósio “Olhares sobre a Animação Portuguesa”.
As First Pitching Sessions, criadas em colaboração com o Piquenique na Lua, abrem também espaço à nova geração de talentos na animação. Este momento do festival oferece uma oportunidade única para apresentar projetos em desenvolvimento a um painel de profissionais da indústria, bem como a jovens criadores à procura de colaborações.
O festival ocupará, em 2025, diversos espaços da cidade de Espinho, como já é habitual, sublinhando o seu papel de dinamizador cultural urbano. Para além do Centro Multimeios de Espinho, o FACE – Fórum de Arte e Cultura de Espinho, a Sala Progresso, a Junta de Freguesia de Espinho, a Piscina Solário Atlântico e o Doo Boop vão acolher exibições, debates e apresentações, oficinas e encontros.
O CINANIMA conta com o apoio valioso de patrocinadores de longa data – a Solverde e a Aipal; às quais se juntam os seguintes parceiros: a ESMAD (Escola Superior de Media Artes e Design), a Viarco e o Coletivo Salitre.
O CINANIMA 2025 olha para o futuro sem esquecer o arquivo que o trouxe até aqui. “Memória: o Futuro do Passado” é o convite a criadores e públicos para reescreverem, juntos, as imagens do festival para os próximos 50 anos.
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