Em fevereiro de 1976, um grupo de jovens de Espinho concebeu a ideia ousada de criar uma mostra dedicada ao cinema de animação e banda desenhada: nasceu o CINANIMA. Sem garantias financeiras, mas com um espírito inovador e descentralizador, esta iniciativa colocou Espinho no mapa da animação.
Em novembro, realizou-se o ensaio que daria origem ao primeiro grande evento internacional, exclusivamente dedicado ao cinema de animação em Portugal.
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Descobre a história do CINANIMA, nesta timeline (em construção)
A Primeira Edição do CINANIMA
Uma Bomba do Japão e o Apoio da UNESCO
Um Festival Sem Fronteiras
Mais do que um Festival
Uma Retrospetiva Avassaladora
O Mundo Reconhece o CINANIMA
Uma Década de Magia
Surge o Prémio António Gaio
Recorde de Inscrições
O Salto para a Elite
Duas Décadas de CINANIMA
O Encontro da ASIFA, em Espinho
Uma Nova Casa para a Animação
Renascimento da Animação Portuguesa
O CINANIMA vai Mais Longe
Três Décadas de CINANIMA
A Animação nas Universidades
Quatro Décadas de CINANIMA
CINANIMA Online: A Adaptação à Pandemia
O Regresso às Salas e Novos Caminhos
100 Anos de Animação em Portugal
Em fevereiro, um grupo de jovens de Espinho concebeu a ideia ousada de criar uma mostra dedicada ao cinema de animação e banda desenhada: nasceu o CINANIMA. Sem garantias financeiras, mas com um espírito inovador e descentralizador, esta iniciativa colocou Espinho no mapa da animação. Em novembro, realizou-se o ensaio que daria origem ao primeiro grande evento internacional, exclusivamente dedicado ao cinema de animação em Portugal.
De 23 a 27 de novembro, realizou-se a primeira edição do CINANIMA – Festival Internacional de Cinema de Animação. Apesar das dificuldades financeiras e negociações desafiantes com os proprietários do Cine-Teatro São Pedro, o evento aconteceu. O júri desta edição contou com figuras de renome nacional e internacional, como Álvaro Costa (considerado o "pai espiritual do festival"), Vasco Granja, René Laloux, Hélène Blanc e Gaston Roch, este último um apoiante incondicional do CINANIMA. O festival destacou-se, desde o início, pela sua qualidade artística, atribuindo prémios a obras marcantes como "A Rua" e "O Castelo de Areia". Entre os filmes exibidos, "O Paisagista", de Jacques Drouin, destacou-se ao conquistar o Grande Prémio. O orçamento da primeira edição foi de pouco mais de 1.000 contos, uma quantia que, ajustada para os dias de hoje, seria cerca de 30 vezes superior. O sucesso da estreia consolidou a reputação do CINANIMA e lançou as bases para o seu crescimento nos anos seguintes, transformando-se no mais antigo festival de cinema em Portugal e o terceiro mais antigo do mundo, na categoria de animação.
O CINANIMA começou a estabelecer parcerias estratégicas com festivais de renome como Annecy, Zagreb e Ottawa. Com uma banca modesta de apenas 10 cartazes, em Annecy, Espinho já marcava presença no circuito global da animação. Em 1978, o festival lançou uma das suas experiências mais duradouras: os ateliers conduzidos pelo professor belga Gaston Roch. No plano competitivo, "Amir e a Princesa", de Nouredine Zarrinkelk, gerou acalorados debates no foyer do Cine-Teatro São Pedro.
O filme "A Bomba", vindo do Japão, partilhou o palmarés com produções da Holanda, Inglaterra e EUA. O CINANIMA conquistou um novo aliado de peso: a UNESCO, juntando-se a outras organizações internacionais como ASIFA, BILIFA e FICC.
Na última edição sob a direção da equipa fundadora, o festival abriu a cinematografias menos conhecidas, como China, Turquia, Áustria, Venezuela e Islândia. O espírito do CINANIMA começou a afirmar-se: um festival livre de pressões políticas ou económicas, centrado na arte e no convívio.
Este ano assinalou a rutura da comissão organizadora e Corporativa, que atravessava momentos difíceis. António Gaio assumiu a direção do festival, iniciando um longo período de crescimento e reconhecimento. O CINANIMA recebeu uma cobertura mediática sem precedentes e consolidou a animação como uma arte interventiva e criativa.
O programa do CINANIMA expandiu-se com workshops, seminários e exposições. Pela primeira vez, as sessões competitivas decorreram no Casino Solverde. Surgiu também o primeiro genérico animado do festival, baseado no cartaz de João Machado.
O CINANIMA surpreendeu com um programa de retrospeções marcante, revisitando grandes clássicos e homenageando a evolução do cinema de animação.
A Academy of Motion Pictures Arts and Sciences e a ASIFA- Associação Internacional de Cinema de Animação, reconheceram, oficialmente, o festival, elevando-o ao estatuto de referência internacional. Neste ano, nasceu também a primeira Animatona Portuguesa, uma iniciativa pioneira para crianças das escolas de Espinho. Esta competição intensiva, com 20 horas de trabalho, distribuídas em dois dias, desafiava equipas de seis participantes a planificar, desenhar e filmar mil desenhos, resultando em curtas-metragens de um minuto e meio, baseadas numa banda sonora comum. O evento decorreu no Salão Nobre da Piscina Municipal e contou com a presença permanente de Gaston Roch, um dos grandes mentores dos ateliers do CINANIMA.
Na sua 10ª edição, o CINANIMA recebeu um júri de excelência: Alves Costa (Portugal), Angel Puigmiquel (Espanha), Borg Ring (Holanda), Gyorgy Matolcsy (Hungria), Nicole Salamon (França). O CINANIMA 86 destacou grandes filmes reputação como português "Evasão" (Fernando Galrito, Joana Rebelo e Paulo Simões), "The Big Snit", do canadiano Richard Condie, e "O Tocador de Flauta", do checoslovaco Jiri Barta.
Este ano ficou marcado pelo falecimento de Alves Costa, o “pai espiritual” do CINANIMA. O festival, no entanto, não parou de surpreender, tendo acompanhado a evolução da animação digital, com a presença do especialista Robi Roncarelli.
Para celebrar contributos notáveis à animação, o festival criou o Prémio António Gaio, um tributo ao seu diretor de longa data, atribuído ao melhor filme na competição nacional.
O número de filmes submetidos ultrapassou, pela primeira vez, as duas centenas, reforçando o impacto e relevância do festival.
Com mais de 350 filmes inscritos e um programa de retrospetivas de renome, o CINANIMA atraiu nove das maiores cadeias televisivas europeias, incluindo BBC, Canal Plus e ZDF.
O festival celebrou 20 anos de dedicação à animação, consolidando-se como um dos mais importantes do mundo. O filme que de destacou com o Grande Prémio foi "L'année du daim", de Georges Schwizgebel.
Pela primeira vez, a programação incluiu várias realizadoras de renome, como Faith Hubley, Caroline Leaf e Lesley Keen, sinalizando uma mudança de paradigma, no que respeita ao papel da mulher na indústria da animação.
O CINANIMA acolheu a reunião anual da ASIFA, fortalecendo a sua posição no panorama mundial da animação.
O festival inaugurou o Centro Multimeios e o Fórum de Arte e Cultura de Espinho, FACE, criando um espaço inovador dedicado ao cinema, multimédia e ao ensino superior, na área da animação.
O filme "Father and Daughter", de Michael Dudok de Wit, que venceu o Grande Prémio do CINANIMA em 2000, conquistou o Oscar™ de Melhor Curta-Metragem de Animação, um reconhecimento da importância do festival no panorama internacional.
O CINANIMA celebrou um momento histórico na animação nacional ao recriar "O Pesadelo do António Maria", o primeiro filme de animação português. Este marco simbolizou o renascimento de uma tradição que foi moldada pelo pioneirismo de António Maria. O projeto foi um passo crucial na revitalização e desenvolvimento da animação em Portugal, trazendo de volta à vida uma obra fundamental do cinema de animação.
O CINANIMA deu um grande salto, expandindo-se para várias cidades de Portugal. Este crescimento marcou uma nova fase do festival, que passou a contar com exibições e eventos em diferentes locais, aumentando assim a sua visibilidade e impacto no panorama cinematográfico nacional. A ideia era aproximar a animação de uma audiência mais ampla, tornando o festival um evento de referência para todos os amantes da sétima arte.
O CINANIMA celebrou 30 anos de dedicação à animação, reafirmando o seu papel como um dos festivais de referência no panorama nacional e internacional.
Em 2010, o CINANIMA apostou na formação e educação como alicerces para o futuro da animação. Lançando um programa educativo inovador, o festival começou a colaborar, ativamente, com escolas e universidades, promovendo a literacia em animação e incentivando o talento emergente. Esta iniciativa foi uma forma de nutrir uma nova geração de criadores e prepará-los para as exigências e oportunidades do mundo da animação.
O CINANIMA intensificou a sua ligação ao meio académico, promovendo uma mostra do melhor do cinema de animação de autor mundial. Atualmente, o festival já alcançou 18 parceiros académicos, em todo o país, levando três programas de exibição, que aproximam estudantes e professores da riqueza artística da animação. Esta iniciativa reforça o papel do CINANIMA como uma plataforma essencial para a divulgação e valorização do cinema de animação em Portugal.
Em 2015, o CINANIMA despede-se de António Gaio, a sua figura maior durante 35 anos. Com dedicação e paixão, Gaio foi a alma do festival, moldando-o como um pilar da animação portuguesa e internacional. O seu legado perdura na comunidade cinematográfica, refletindo o compromisso inabalável com a arte e com a promoção de novos talentos. O festival continua a honrar a sua visão, celebrando a animação com o mesmo espírito que ele cultivou ao longo das décadas.
O CINANIMA celebrou 40 anos de história, com uma edição especial repleta de retrospetivas, masterclasses e exposições que destacaram a evolução da animação. O cartaz comemorativo dos 40 anos, criado por João Machado, frequentemente aclamado como mestre do cartaz, recebeu reconhecimento internacional com três prémios GRAPHIS, reforçando a ligação do festival ao design e à arte visual. No mesmo ano, o CINANIMA criou ainda o "Crianças Prime1rº", um programa educativo inovador que leva realizadores às escolas, para criar filmes de animação com crianças do Pré-Escolar e 1.º Ciclo. A iniciativa, apoiada pelo Plano Nacional de Cinema, promove uma aprendizagem ativa e multidisciplinar, permitindo que os alunos participem em todas as etapas da produção cinematográfica.
A premiada realizadora Regina Pessoa, um dos nomes mais reconhecidos da animação portuguesa, ministrou uma masterclass, no CINANIMA. Com um olhar único sobre a narrativa visual e as técnicas de animação, partilhou a sua experiência com uma nova geração de animadores, reforçando o papel do festival como espaço de aprendizagem e inspiração.
Num ano de desafios sem precedentes, o CINANIMA adaptou-se à realidade da pandemia e levou a animação até ao público, através de um formato online. Pela primeira vez, os filmes foram exibidos virtualmente, permitindo que espetadores de todo o país continuassem a usufruir do festival em segurança, no conforto das suas casas.
O CINANIMA regressou às projeções presenciais e eventos em Espinho, trazendo de volta a experiência única do cinema em sala. Pedro Serrazina assumiu a direção artística do festival, e foi realizado o primeiro Simpósio “Olhares sobre a Animação Portuguesa”, reforçando o compromisso com a reflexão e discussão sobre o setor da animação.
Pela primeira vez, um filme português foi nomeado para os Oscar™ na categoria de Melhor Curta-Metragem de Animação. Ice Merchants, de João Gonzalez, recebeu a Menção Honrosa do CINANIMA para Melhor Design de Som e alcançou reconhecimento mundial, colocando a animação portuguesa no centro das atenções internacionais.
O CINANIMA marcou um momento significativo na história da animação portuguesa ao realizar uma exposição comemorativa dos 100 anos deste meio artístico, em Espinho. A exposição destacou os momentos mais marcantes, os criadores e as obras que definiram um século de cinema de animação em Portugal. A exposição reafirmou o compromisso do CINANIMA em promover, preservar e inspirar a arte da animação, consolidando ainda mais o festival como um ponto de referência para os amantes da animação em todo o mundo. Também a vencedora do Grande Prémio do CINANIMA, "Our Uniform", Yegane Moghaddam, foi nomeada para o Oscar™ na categoria de Melhor Curta-Metragem de Animação.
O CINANIMA 2024 destacou “Beautiful Men” com o Grande Prémio e o Prémio Cidade de Espinho, garantindo-lhe a qualificação para o Oscar™. O festival destacou ainda as longas-metragens “Memoir of a Snail e Flow”, sendo que esta última conquistou projeção mundial ao vencer o Prémio de Melhor Longa-Metragem de Animação nos “European Film Awards” e recebeu múltiplos prémios em Annecy, Nova Iorque e no National Board of Review. Pela primeira vez, a prestigiada animadora britânica Joanna Quinn conduziu uma masterclass "in loco" e encheu a sala António Gaio. O festival também promoveu o primeiro debate sobre Inteligência Artificial no Cinema de Animação. No âmbito das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, foi exibido “E se um dia a Liberdade”, um filme realizado por quatro agrupamentos de escolas de Espinho e Ovar, em colaboração com a Escola Profissional de Música, celebrando a revolução, através da animação.
Ao longo dos seus 49 anos de história, o CINANIMA teve o privilégio de colaborar com uma lista impressionante de talentos do cinema de animação, tanto a nível nacional como internacional. Desde os lendários nomes como Nicole Salomon (França), Frédéric Back (Canadá), Quino (Argentina) e Michael Dudok de Wit (Países Baixos/Reino Unido), até aos talentos emergentes que encontraram no festival uma plataforma para partilhar as suas obras. A nível nacional, figuras como Alves Costa, Vasco Granja, Artur Correia e Regina Pessoa, entre muitos outros, contribuíram para a evolução e o prestígio do CINANIMA. Através destes marcos, o CINANIMA solidificou o seu lugar como uma referência no mundo da animação, destacando-se como uma montra líder para filmes de animação, um ponto central para profissionais da indústria e um catalisador vital para a educação e apreciação da animação em Portugal e além.
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